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Paraty, patrimônio histórico de cultura e belezas naturais

Arquitetura colonial, gastronomia e outras curiosidades originadas no Período Colonial fizeram de Paraty uma cidade repleta de charme e encanto.

Apesar de muito conhecida pela beleza de suas ilhas, praias e matas nativas, a cidade guarda outras riquezas mundialmente reconhecidas e valorizadas. Paraty é um patrimônio histórico que foi formado pelos traços marcantes do Brasil Colônia e que deram a ela características importantes para se tornar o que é hoje.

Você sabia que até mesmo a arquitetura das construções coloniais contribuíram para a formação da economia do município? E que existem ditados populares que utilizamos cotidianamente hoje que partiram desse período da nossa História?

Curiosidades sobre arquitetura, colonização, costumes locais, culinária típica e outros fatores fizeram com que Paraty se tornasse um local diferenciado e cheio de encantos! Hoje, a cidade é notoriamente reconhecida por seu trabalho impecável de preservação natural, cultural e histórica.

Vamos fazer uma pequena viagem no tempo para entender um pouco mais sobre como esse município foi formado? Acredite, Paraty vai muito além de suas belezas naturais e, sem dúvida, vai surpreender você!

 

Casarão colonial, um elo entre a arquitetura e a economia

Quando se fala em estilo colonial no Brasil, as primeiras coisas que vêm à cabeça são aqueles belos casarões antigos, com grandes janelões, portas e varandas, certo? O que a gente nem imagina é que a estrutura dessas construções também era planejada para favorecer a economia.

Casarão Colonial em Paraty - RJ

Os antigos casarões do período colonial contam com uma arquitetura característica, aliando métrica, cores e imponência. (Foto: Ricardo Junior)

 

Veja bem, estamos falando de um período entre os séculos XV e XVII, desde o descobrimento até meados de 1800. Pensar que havia uma correlação intencional e direta entre a arquitetura e a economia numa época tão rudimentar parece um pouco estranho.

No Brasil colonial, vivemos uma fase dura de escravização dos índios nativos e dos negros africanos para trabalhar na exploração primeiramente da Cana de Açúcar e, mais tarde, do ouro descoberto em terras brasileiras.

Paraty, hoje com 351 anos, participou ativamente do Ciclo do Ouro no Brasil, já que abrigava o mais importante porto exportador do país. Ou seja, quase todo o ouro extraído das minas viajava quilômetros até chegar ao porto paratiense, tornando o vilarejo uma rota obrigatória para os comerciantes.

Belza Natural e patrimônio histórico de Paraty

Com 3 séculos e meio de existência, Paraty preserva o charme e a beleza histórica de suas construções. (Foto: Naturam)

 

Justamente por isso, a cidade foi aos poucos ganhando corpo, se desenvolvendo, construindo seus casarões e igrejas que eram erguidos de forma “desordenada”. As estradas eram feitas somente para dar passagem aos escravos e fazendeiros, então os caminhos de terra e paralelepípedos eram abertos, o famoso “Pé de Moleque” seguindo o espaço deixado entre as edificações construídas.

Ruas de Paraty com o famoso calçamento "pé de moleque"

As ruas irregulares de paralelepípedos mantém presentes as fortes marcas do Período Colonial no Brasil. (Foto: De Garfos e de Quartos)

 

Diferentemente da forma desordenada dos caminhos que se abriam, a arquitetura dos casarões seguia uma métrica rígida e bastante significativa. Grandes portas e janelas permitiam a entrada de ar e luz natural num tempo em que ainda não havia energia elétrica no Brasil.

Os casarões coloniais eram regidos por uma simetria impecável, com janelas milimetricamente distantes umas das outras e portas centralizadas. As paredes e vigas eram grossas e feitas de barro e pedra, preparadas para proteção em caso de guerra.

Mais do que estruturas arquitetônicas, as construções coloniais tinham uma importante simbologia de poder e riqueza. Já ouviu falar da expressão “sem eira nem beira”? Pois é desse contexto que ela surgiu!

As casas de famílias mais abastadas contavam com eira e beira, que são estruturas de arremate no telhado, uma espécie de acabamento “de luxo” que era dado aos casarões. Em contrapartida, as casas mais simples não tinham nem eira, nem beira. Isso, mais tarde, se tornou o que conhecemos hoje por condições menos favorecidas, sem recursos ou possibilidades.

Estrutura arquitetônica de Paraty

Os arremates no acabamento das casas mais abastadas contavam com eira e beira, elementos de uma estrutura arquitetônica mais arrojada no Brasil Colônia. (Forte: Marcio Cabral de Moura)

 

E como isso interferiu diretamente na economia do município? Como vimos, as construções coloniais expressavam o poder aquisitivo de seus moradores, e os mais privilegiados mostravam isso através da arquitetura de suas casas: sobrados, por exemplo, eram sinônimo de dinheiro.

Os sobrados coloniais demonstravam que, por haver dois pavimentos, a família detinha recursos para ter escravos e comércio próprio. Isso porque, em casarões urbanos, o pavimento de cima era utilizado para residência da família e o de baixo, geralmente, como senzala ou loja.

Sobrado Colonial em Paraty - RJ

A parte térrea dos sobrados coloniais era utilizada para fins de comércio e pertencia às famílias de alto poder aquisitivo. (Foto: Simone Lobo)

 

Paraty cresceu a partir do Ciclo do Ouro. Nesta época, pessoas de todas as partes do Brasil migravam para o município atraídos pela economia mineradora, o que desenvolveu e fortaleceu o comércio local com diversas lojas e armazéns.

Por isso, as plantas arquitetônicas coloniais já priorizavam o comércio através da estrutura de sobreloja, situando a loja no pavimento térreo e os cômodos privativos no pavimento superior, ou também pela estrutura de fundos, alocando o comércio na parte da frente, próximo à rua, e a residência nos fundos do terreno.

De uma forma ou de outra, o comércio era sempre prioridade no período colonial. Essa conjectura favoreceu, em Paraty, uma considerável potencialização da economia, que gerou riqueza e recursos financeiros ao município por todo o Ciclo do Ouro.

 

Da rusticidade da culinária típica ao requinte da alta gastronomia

Outro importante fator que teve fortes consequências para formar Paraty como é hoje foi a variedade e qualidade dos elementos que compõem a culinária típica local. Em 2017, o município foi classificado como Cidade Criativa de Gastronomia pela UNESCO, e não foi à toa.

Hoje são diversos restaurantes que oferecem pratos da alta gastronomia, com muito requinte, sofisticação e sabor, é claro. Os menus são variados e a culinária de várias partes do mundo se faz presente numa só cidade, com uma mistura perfeita entre tradição e inovação.

Gastronomia dos restaurantes em Paraty

A excelente gastronomia dos restaurantes de Paraty explora a riqueza de ingredientes regionais com os preparos refinados de grandes escolas da culinária mundial. (Foto: Claudia Mascarenhas)

 

Mas um elemento determinante para a cozinha paratiense hoje ser um sucesso reconhecido de forma internacional tem suas raízes lá atrás, também no período colonial, quando Paraty era apenas um vilarejo em crescimento devido à corrida pelo ouro.

Ingredientes típicos regionais integram e criam iguarias e quitutes dos mais saborosos desde o tempo dos escravos, que preparavam verdadeiros banquetes para as famílias detentoras de posses e de alto poder aquisitivo.

Pratos como moqueca de peixe, galinha ao molho pardo, salada de lagosta, além de ingredientes como pimenta cumari, pimenta malagueta e batata doce impressionavam e faziam sucesso em receitas preparadas com primazia aos convidados em grandes eventos.

Da mesma forma, doces jamais vistos em outras partes do país ou pelos portugueses que residiam no Brasil tais como compotas de banana e goiaba, baba de moça, manuê de bacia feito de farinha de trigo, broa de mãe benta, cocada e bala de ovos conquistavam o paladar de fazendeiros, ricos comerciantes e integrantes do clero e da nobreza.

As origens coloniais da rica gastronomia paratiense levaram a uma positiva e consequente evolução no setor, que até hoje busca ingredientes típicos da região para elaboração de seus pratos. A ideia de casar famosas escolas da culinária mundial com a integração de ingredientes tipicamente regionais gerou para a cidade o ônus de Cidade Criativa e faz um tremendo sucesso.

Paraty destaque pela UNESCO

A criatividade no preparo das receitas e no uso inusitado de ingredientes e outros elementos colocou Paraty no hall das cidades de destaque em gastronomia pela UNESCO. (Foto: Restaurante Banana da Terra)

 

Quer conhecer um pouco mais sobre a incrível gastronomia do município?
Confira os 15 melhores restaurantes para comer em Paraty!

 

Paraty, um patrimônio da Humanidade

Como prova desta incrível miscelânea cultural e histórica que é Paraty, a cidade concorre neste ano de 2018 ao título de Patrimônio da Humanidade conferido pela UNESCO. A candidatura honra todos os esforços de preservação feitos pelo município em manter intactos os elementos que formam e estruturam a cidade.

Os cuidados com o meio ambiente, espaços públicos, arquitetura e cultura local através de comunidades nativas, artesanato, culinária típica e costumes em geral fizeram com que Paraty, no auge de seus 351 anos, se mantivesse um local bonito e preservado, capaz de acolher e encantar turistas e moradores.

Paraty, patrimônio mundial como Sítio Misto

A beleza das paisagens culturais e históricas preservadas em Paraty podem dar ao Brasil o primeiro título de Patrimônio Mundial na categoria de sítio misto. (Foto: Olhares UOL)

 

Paraty é dona de uma intensa vida cultural, abrangendo toda a riqueza dos caiçaras e quilombolas, dos nativos pescadores e dos incentivos à educação, contando com um dos maiores encontros de literatura do mundo. A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) promove a interação direta e próxima entre grandes e renomados autores e o público.

A preocupação com a História e a Cultura é tão prioritária quanto a atenção dada à preservação da natureza no município. As praias e ilhas paratienses são donas de uma exuberância extraordinária e a belíssima vegetação nativa guarda incríveis trilhas a serem exploradas pelos amantes dos esportes de aventura.

Foi essa incrível combinação entre a preservação das paisagens históricas e naturais da cidade que fez com que Paraty entrasse na disputa pelo título de Patrimônio da Humanidade classificada como um sítio misto. Então vamos torcer!

Gostou da notícia? Confira tudo sobre a candidatura de Paraty ao título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO

 

por Camila Viol.

Fontes: Milton Jung – Carlos Magno Gibrail | Arquitraço Brasil | Arquitetura no Brasil – Blog | Info Escola